Construir no Aretê: arquitetura, paisagismo e os primeiros passos do projeto

Casa de dois andares do Alto Ybirá vista do gramado, com varanda no andar de cima e escada no jardim ao lado (foto real)

Construir uma casa no Aretê começa pela relação entre o terreno, a arquitetura e a paisagem. Antes de escolher a planta, vale pensar no que você espera da casa: espaços de convivência, privacidade, jardim, área de lazer e a forma como cada ambiente se abre para o entorno.

Nossa sugestão é transformar essas preferências em um programa de necessidades: uma lista dos espaços e usos desejados. Ela será o ponto de partida para a conversa com o arquiteto e para comparar terrenos com critérios que vão além da metragem total.

Entenda os termos que aparecem na escolha do lote

  • Taxa de ocupação: indica quanto do terreno pode ser ocupado pela projeção da construção, conforme os critérios aplicáveis. Não equivale à soma de todos os pavimentos.
  • Sobreposição: relaciona a área construída do segundo pavimento à do primeiro, conforme a definição da LUOS.
  • Afastamentos: são as distâncias exigidas entre elementos construídos e os limites ou referências definidos para o lote.
  • Cota de implantação: é o nível em que a casa se posiciona em relação ao terreno.
  • Preservação e impacto: são parâmetros que orientam a relação entre construção e áreas que devem ser mantidas ou recuperadas. As definições e os cálculos precisam ser conferidos para a área escolhida.

Em vez de aplicar uma faixa de percentuais a qualquer terreno do Aretê, peça um estudo para o lote que está avaliando. Um desenho preliminar permite discutir onde caberiam a casa, a piscina, os acessos e o jardim, antes de assumir que todas as suas ideias se encaixam naquela área.

Quatro pontos técnicos do regulamento da AMA

A revisão R03, de 23/04/2025, traz orientações que merecem entrar na primeira conversa com o projetista:

  • Implantação: em terrenos planos, o pavimento de acesso não pode ficar mais de 40 cm acima do nível original. Terrenos com desnível exigem análise específica.
  • Afastamentos: devem ser consultados na planta aprovada; há exigências adicionais para determinados lotes junto ao golfe.
  • Telhados: o documento prevê telhas cerâmicas sem brilho, em cores terrosas, cinza ou branca, e estabelece exceções para certos anexos.
  • Paisagismo: o jardim deve respeitar os limites do lote e dialogar com o conjunto do Aretê.

Esses pontos são uma introdução. Consulte os itens 7.2.1, 7.2.2, 7.2.3 e 7.2.12 do regulamento completo da AMA e confirme a versão aplicável ao seu projeto.

Estudo paisagístico do Toriba mostrando lote, árvores, calçadas, rua e área de lazer.
A paisagem também entra no projeto da casa. Prancha de concepção do paisagismo do Aretê, página 8; as cotas da rua não são afastamentos construtivos do lote. Ampliar imagem (nova aba).

Topografia e sondagem: conheça o terreno antes de desenhar

O levantamento planialtimétrico representa medidas, limites e níveis do terreno; a sondagem fornece informações sobre o solo para orientar as soluções de fundação. São informações complementares. O item 3.2.1 do regulamento da AMA inclui esses documentos e prevê informações dos terrenos vizinhos em situações com desníveis.

Peça ao profissional que confira se o levantamento abrange todo o lote e corresponde à documentação e aos marcos existentes. Uma planta antiga, um mapa comercial ou o levantamento apenas do terreno vizinho não bastam para descrever as condições da unidade escolhida. O fato de um arquivo ser digital também não confirma, sozinho, sua precisão ou atualidade.

Em um terreno em declive, vale estudar desde o início o acesso de veículos, os níveis de entrada, a drenagem, a movimentação de terra e eventuais contenções. Essas soluções podem alterar o custo da obra. O efeito sobre o orçamento depende do terreno, do projeto, da estrutura e das especificações; não há um acréscimo único aplicável a todos os lotes.

Do estudo inicial ao projeto executivo

Na contratação, esclareça quais etapas e entregas estão incluídas. Este roteiro resume a diferença entre desenvolver a casa, obter as aprovações e detalhar sua execução:

  1. Estudo preliminar: relaciona o programa de necessidades às possibilidades do terreno e apresenta a concepção inicial.
  2. Anteprojeto: desenvolve a solução escolhida, com ambientes, dimensões, implantação e organização dos pavimentos.
  3. Projeto legal e aprovações: reúne os desenhos e documentos necessários à análise dos órgãos competentes e da associação, conforme o caso.
  4. Projeto executivo e compatibilização: detalha a construção e coordena as interfaces com os projetos complementares, como estrutura e instalações.

O detalhamento pode incluir áreas molhadas, pisos e revestimentos, esquadrias, cobertura, pontos de instalações e especificação de materiais, conforme o escopo contratado. A aprovação legal não equivale à entrega de todos esses detalhes. Projetos complementares, orçamento, acompanhamento e gerenciamento da obra também precisam ter responsáveis e escopos definidos no contrato.

Essa distinção é apresentada nas orientações do CAU/BR sobre as etapas do trabalho do arquiteto e no guia de contratação de serviços de arquitetura. No Aretê, ela ajuda a comparar propostas de projeto e a entender o que acompanha um terreno anunciado com projeto aprovado.

Para visualizar as contas, veja o exemplo de um lote de 1.348,69 m² no guia de potencial construtivo. Para as especificações de casas prontas, consulte também o guia de materiais e acabamentos, que diferencia os documentos de cada projeto.

Um roteiro para organizar os primeiros passos

  1. Definir o lote e reunir documentos. Identifique quadra, unidade e eventuais projetos existentes.
  2. Desenvolver o estudo com profissional habilitado. Relacione suas prioridades às condições do terreno.
  3. Submeter o projeto à AMA e ao licenciamento competente. A aprovação da associação não substitui as exigências municipais.
  4. Planejar o início da obra após as liberações. Confirme a documentação e as condições necessárias antes de mobilizar serviços.

Para o planejamento pessoal, recomendamos organizar uma pasta com as versões dos desenhos, as perguntas ainda em aberto e as decisões sobre materiais. Também vale separar o orçamento da casa, das instalações e das áreas externas. Assim, jardim, iluminação e acessos entram na conversa desde o início.

Como escolher por onde começar

Nas páginas de Ybirá e Arandú, você encontra uma apresentação das regiões. O Arandú informa opções com ou sem projeto aprovado: confirme a condição da unidade de interesse e o que está incluído em cada alternativa.

Uma boa visita pode terminar com uma lista objetiva: o que você gostou no terreno, quais espaços são indispensáveis e quais questões precisam ser levadas ao arquiteto. Essa organização ajuda a transformar a escolha do imóvel em um projeto de vida mais concreto.

Complete a leitura com Infraestrutura do Aretê: o planejamento que existe além da paisagem e com o guia de paisagismo do bairro.

Comece pela escolha do imóvel. Fale com a Phoco para conhecer os lotes e organizar sua visita ao Aretê.

Conteúdo introdutório. Fontes técnicas: Regulamento de Normas Construtivas da AMA Aretê, R03 de 23/04/2025; LUOS de Búzios; orientações do CAU/BR sobre etapas e contratação de projeto. Consulta e revisão em 06/10/2026. O projeto deve observar a documentação específica do imóvel, as normas aplicáveis e a orientação do profissional responsável. Fotografias do acervo do empreendimento.

Participe da discussão