Casas entre jardins, ruas arborizadas, canais e grandes áreas abertas: a paisagem faz parte da experiência de conhecer o Aretê, em Búzios. Para entender essa relação, vale olhar para o projeto paisagístico do bairro e para a forma como ele organiza a vegetação em diferentes ambientes.
O material de concepção do paisagismo parte de uma ideia importante: praia, mata e áreas alagadas têm características próprias. Essa diversidade orienta a escolha e a distribuição da vegetação, dos pequenos canteiros às árvores que compõem a paisagem.
Uma paisagem, diferentes ambientes
O estudo divide o território em setores e combina plantas de diferentes portes. Nos ambientes de praia e alagados, aparecem propostas com vegetação herbácea, de porte baixo. Nos setores de mata, a composição reúne arbustos e árvores de pequeno e grande porte.
Essa leitura ajuda a perceber o bairro em diferentes escalas: a vegetação próxima aos caminhos, os jardins junto às casas e os conjuntos de árvores vistos de longe. A paisagem ganha variedade conforme o percurso e o ambiente.

Como ler o perfil: “fisionomia vegetal” é a aparência e a organização da vegetação, considerando seus tipos e portes. O desenho apresenta cinco setores:
- Setor 1 — praia: vegetação herbácea.
- Setor 2 — mata: vegetação herbácea e arbustiva.
- Setor 3A — mata: arbustos e árvores de pequeno porte.
- Setor 3B — mata: arbustos e árvores de grande porte.
- Setor 4 — alagados: vegetação herbácea.
A escala vertical ajuda a visualizar as diferenças de porte no esquema. Os setores são uma classificação ambiental do estudo; não correspondem, por si só, às divisões comerciais Toriba, Ybirá e Arandú.

Vegetação nativa no planejamento
No plano de tratamento paisagístico, a vegetação predominantemente nativa aparece como diretriz para a arborização dos eixos viários, das ruas internas dos condomínios e das áreas de recuperação ambiental. Para os jardins ornamentais, o documento prevê a combinação de vegetação nativa e exótica.
Entre as espécies apresentadas no estudo estão Clusia fluminensis, Schinus terebinthifolius e Paubrasilia echinata. Elas fazem parte da paleta vegetal proposta, que também inclui herbáceas, arbustos e outras árvores. A seleção mostra como o projeto considera diferentes formas e portes de vegetação.

Como ler o masterplan: o vermelho identifica a arborização dos eixos viários estruturais; o laranja, a das ruas internas dos condomínios. As áreas de recuperação ambiental aparecem em verde-claro, e os jardins ornamentais, em verde-escuro. A legenda diferencia, assim, a função de cada intervenção e a composição vegetal prevista.
Ruas, jardins e canais no mesmo desenho
O documento apresenta estudos para a arborização de condomínios e para a relação entre lotes, passeios e canais. Nesses desenhos, a vegetação participa da organização dos espaços e acompanha a transição entre a casa, os caminhos e a água.
O corte da rua: calçadas, arborização e área de lazer
Um corte é um desenho que mostra o espaço de lado, como se ele tivesse sido seccionado. Na prancha de arborização dos condomínios de Toriba, ele aparece junto a uma vista de cima, permitindo relacionar o porte das árvores à distribuição da rua, das calçadas e dos jardins.

As medidas deste desenho: calçadas de 2,5 m em cada lado e rua interna de 7 m. A composição apresenta o lote particular de um lado e a área de lazer do outro. As referências botânicas incluem Andira fraxinifolia, indicada no documento como árvore de médio porte, de até 12 m, e Sophora tomentosa, indicada como arbusto.
O corte do canal: água, passeio e lote particular

No corte do canal, o estudo identifica uma faixa de 4 m como “servidão para passagem de embarcações” e uma faixa de 3 m como “servidão para passeio de pedestres”, antes do lote particular. O desenho mostra como a vegetação acompanha essa transição. Os 4 m se referem à faixa indicada na prancha, não à largura total do canal.
A paleta vegetal dessa prancha reúne Blutaparon portulacoides, Epidendrum fulgens e Bromelia antiacantha, classificadas no documento como herbáceas, além de Clusia fluminensis, apresentada como árvore de pequeno porte.
Importante para interpretar os cortes: as cotas e denominações reproduzem os exemplos do estudo paisagístico. A configuração executada, as servidões e os parâmetros aplicáveis precisam ser confirmados nos documentos de cada imóvel. Esses desenhos não substituem o projeto aprovado nem o regulamento construtivo vigente.
Na Região Toriba, a presença dos canais oferece uma perspectiva própria dessa relação. Já as fotografias do Ybirá mostram casas, jardins e arborização em uma paisagem que inclui o campo de golfe e lagos. Conhecer esses cenários ajuda a entender qual ambiente combina com a sua maneira de viver Búzios.

Um olhar para levar à sua visita
Durante a visita, reserve um tempo para observar os jardins, a arborização das ruas e a vista a partir das casas e dos terrenos. Percorrer ambientes diferentes permite conhecer o bairro além da planta do imóvel e perceber como a paisagem participa de cada localização.
Para organizar esse primeiro percurso, veja também o nosso guia Toriba, Ybirá ou Arandú: por onde começar sua visita ao Aretê?
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Fonte: apresentação “Aretê — Paisagismo”, com reprodução das pranchas das páginas 4, 6, 8 e 9. O texto apresenta diretrizes de concepção; a implantação e a vegetação devem ser verificadas em cada local. Fotografias do acervo Aretê ilustram as paisagens do bairro e não constituem identificação botânica das espécies citadas.
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